Monday, March 30, 2015

"Birth of Butterfly in a fridge" - by Tisha

7th March 1993

"Shut in"

Cocooned in a silken sheath of protection
Acclimatized to darkness and constant cold
A metaphysical study of ultimate reality.
Abandoned to fate and despair;
Relinquished freedom, 
Suspended pain;
Aborted metamorphosis,
Misshapen wings
never to fly, on Sprng's mellow air, 
abstaining from sweet scented acacia,
buttercups and daffodils, ablaze with yellow
under a clear, blue sky,

Tragic misshapen creature
born in damp, cold darkness
Never, ever to fly!

Thursday, March 26, 2015

Here I love you - Pablo Neruda

Here I Love You
Pablo Neruda

Here I love you.
In the dark pines 

the wind disentangles itself.
The moon glows like phosphorous 

on the vagrant waters.
Days, all one kind, 

go chasing each other.

The snow unfurls 

in dancing figures.
A silver gull 

slips down from the west.
Sometimes a sail. 

High, high stars.

Oh the black cross of a ship.
Alone.
Sometimes I get up early 

and even my soul is wet.
Far away the sea sounds 

and resounds.
This is a port.
Here I love you.

Here I love you 

and the horizon hides you in vain.
I love you 

still among these cold things.
Sometimes my kisses 

go on those heavy vessels
that cross the sea towards no arrival.
I see myself forgotten 

like those old anchors.
The piers sadden 

when the afternoon moors there.
My life grows tired, 

hungry to no purpose.
I love what I do not have. 

You are so far.
My loathing wrestles 

with the slow twilights.
But night comes

and starts to sing to me.

The moon turns 

its clockwork dream.
The biggest stars 

look at me with your eyes.
And as I love you, 

the pines in the wind
want to sing your name 

with their leaves of wire.


Pablo NerudaPoema n º 18
 Português

Aqui te amo
Nos sombrios pinheiros 

desenreda-se o vento
a lua fosforesce 

sobre as águas errantes
andam dias iguais a perseguir-me.

Desperta-se a névoa 

em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata 

desprende-se do ocaso.
Às vezes uma vela. 

Altas, altas estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.
Às vezes amanheço 

 e até a alma está húmida.
Soa, ressoa o mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Aqui te amo 

e em vão te oculta o horizonte
Eu continuo a amar-te 

entre estas frias coisas
Às vezes vão meus beijos 

nesses navios graves
que correm pelo mar 

onde nunca chegam.

Já me vejo esquecido 

como estas velhas âncoras.
São mais tristes 

os cais quando fundeia a tarde.
A minha vida cansa-se 

inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. 

E tu estás tão distante.

O meu tédio forceja 

com os lentos crepúsculos.
Mas a noite aparece 

e começa a cantar-me
A lua faz girar 

a sua rodagem de sonho.

Olha-me com os teus olhos 

as estrelas maiores.
E como eu te amo, 

os pinheiros no vento
querem cantar o teu nome 

com as folhas de arame.




Gosto - Magalhães Pinto


Gosto

– Magalhães Pinto

Tudo o que faço,

faço-o com gosto!

As uvas... o vinho... o mosto...
Esta mistura 
que me leva à loucura
de te Amar!...
Que me leva a mergulhar em ti
como se fosses o mar!
...Aquele mar que nunca vi!


Tudo o que vejo

vejo-o com gosto...

A madrugada... o dia... o sol-posto...
Esta candeia
que me incendeia!...
O meu braseiro!...
Que faz arder o meu lenho
como se fosse um luzeiro!...
... O luzeiro que em ti tenho!


Tudo o que sinto,

sinto-o com gosto!

As mãos... o ventre... o rosto...
Dum corpo lindo
que se me dá, sorrindo!...
Minha floresta,
na qual encontro segredos
embrulhados no que resta
dos meus sonhos... dos meus medos!...


Tudo o que prendo,

prendo-o com gosto!

O sol de Junho... um sol de Agosto...
Este calor
repleto de tanto Amor!...
O meu vulcão,
a escorrer lava ardente,
onde deixo a minha mão
passear-se, ternamente!...


Tudo o que guardo,

guardo-o com gosto!

a alegria... a dor... o desgosto...
Este destino
que faz de mim um menino!
Uma ansiedade
feita de gritos e mimos!
Feita da felicidade
do momento em que nos vimos!...


Tudo o que faço·

(se te abraço),
e que vejo·

(se te desejo),
e que sinto·

(se te pinto),
e que prendo·

(se me rendo),
e que guardo·

(sem ser fardo)
é meu!... Com gosto!

Sem que nada me seja imposto!...
E até este meu hino,
construído, no desatino
duma alma enamorada,
é meu!... É da ternura que tenho!
Feito para ti, minha Amada,
no momento em que, desenho
uma rosa no teu peito,
linda, em sua singeleza!...
...Pobre pintor, tão sem jeito
para ornar tanta beleza!...

Magalhães Pinto